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Doce regresso

Uma da tarde e um frio de se esconder. Li uma crônica do Ulisses Tavares, pensei nos meus dilemas, sorri amarelo ao lembrar que dormi abraçada com a boneca que plasmei (a expressão fica por conta de uma colega da escola) ao longo do último final de semana (de quê adianta os trinta e poucos anos nas costas?) e termino a manhã pensando: o que ainda temos pela frente? Pensei na possibilidade de mudanças e tento influenciar as pessoas com isso: e se fizéssemos assim?, e se pensássemos de outro jeito?, e se pudéssemos contar com outras pessoas para realizar esse projeto? e se...? Poucas coisas tem me tocado fundamente e isso aniquila os sentidos. Entretanto, sou surpreendida pelo manual, pelas coisas que faço completamente e com minhas mãos. Construir uma boneca do começo ao fim é realmente plasmar vida a algo que vem de dentro. Por isso tenho retornado a essa ideia fundamental do fazer, de envolver-se com o corpo e com a alma em projetos dentro da escola. Usar o co...

Amigos secretos (e outros nem tanto assim)

Dia de teatro no convés da embarcação: Romeu e Julieta na voz de meninos e meninas que estão partindo para outros paragens e, quem sabe, levarão a lembrança de um momento como o de hoje, em que deram de si um pouco para todos nós. O que aprendemos com isso? Será que precisamos necessariamente aprender algo? Fico com dúvidas. Hoje quis ser mais gentil, mais humana. A arte vem para isso, humanizar. Acredito que muita leveza foi possível durante a apresentação: rimos, choramos, bebemos suco de uva, carregamos peso, ajeitamos cenários, nos irritamos com os outros e conosco porque tudo poderia ter sido melhor... mas esse é nosso melhor, o que pudemos fazer nesse instante. Ano que vem, será o mesmo sofrimento e a mesma delícia a que nos acostumamos. Vivendo e aprendendo a jogar...

Tempo de colher os frutos (ou recolher a rede)

O fim de ano se aproxima e o trabalho continua. Fizemos a avaliação do trabalho com os cadernos literários (os nossos e os dos alunos) e, sinceramente, as desculpas para não embarcar em certas viagens me desagradaram. O que mais preciso fazer para convencer os outros que certos mares precisam ser desbravados, por mais infernal que sejam as marés? Embora capitã não sei se o autoritarismo me cabe: rezo todos os dias para permanecer com a doçura do horizonte nos olhos. Estratégias de guerra devem ser pensadas, alguns tripulantes estão comigo, mas temo que Long Silver também esteja...

A garrafa retornou!

Roseana nos ouviu! 1. Adoro escrever para crianças, é lúdico, eu brinco um pouco. Mas realmente escrevo com tudo o que tenho, não faço nenhuma concessão. Não penso na faixa etária. 2. Antes de começar um livro já tenho um tema e então vou desdobrando o tema. 3. Sim, eu era fascinada com os circos e até hoje sou. Há todo um clima de sonho. 4. Meus poemas são livres, mas são muito musicais. uso as rimas com cuidado e sou uma poeta de imagens.Não sei dizer quais são meus poemas preferidos. 5. Às vezes o título sai de algum poema, às vezes começo um livro pelo título. 6. Não, Mirian, deixo o ilustrador completamente livre. 7. Faço poesia como respiro, para mim é natural e posso trabalhar em dois livros bem diferentes ao mesmo tempo, como estou fazendo agora. Um para criança e outro para adultos. 8. Tom é meu ex cunhado, meu amigo, e construiu um veleiro enorme no jardim da sua casa , isso me impactou muito. Ele construiu seu barco sozinho. 9. Escreví os poemas para meu filho André, especia...

Garrafa ao mar...

Roseana Murray é mulher da praia: mora na boca do mar e tem pra si todo o peso da ressaca a envolver-lhe a cabeça...Seus livros, por hoje, ocuparam as mesas da sala de leitura, quando o grupo pode folhear, ler, cheirar e pensar: quem é essa mulher, o que move sua escrita, o que esses poemas me dizem? As quinze perguntas, simples ou existenciais, foram lançadas ao mar. Agora, é sentar e esperar que cheguem à sua destinatária e que ela possa lançar um olhar para os naúfragos deste lado das águas...

Roseana Murray

1. Você escreve para o público infantil e adulto. Gostei dos livros que folheei agora (infantis). É melhor escrever para esse tipo de público ou, melhor, você prefere escrever literatura infantil? (Teresinha - Língua Portuguesa) 2. Quando concentra-se para escrever, já vai com a intenção de produzir para determinado público? (João - Educação Física) 3. Roseana, porque resolveu escrever sobre “o circo”? Está relacionado à sua infância? (Áurea - Fundamental I) 4. Que tipo de poesia você tem mais satisfação em fazer? Qual a sua preferida (ou quais)? (Beth - Ciências) 5. Com que critério você escolhe os títulos de seus livros? (Maria Suely - Artes) 6. Você conversa com o(a) ilustrador(a) sobre o que vai ser desenhado para acompanhar seus poemas? (Mirian - História) 7. O que é mais fácil: escrever para adultos ou crianças? (Ana Cristina - Informática) 8. Quem é o Tom Murray, a quem você dedica o livro “Mar de sonhos”? Por que ele é sozinho? (Jaqueline - Fundamental I) 9. Roseana, quando voc...

Marolinha

Querer ou não o mesmo sofrimento vivido outrora? A expectativa por alguns retornos (desejados ou não), em um primeiro momento, foram marolas para quem considera pesadamente os fatos da vida. Que diferença faz quando algo maior se desenha no horizonte? Os primeiros pais atenderam ao convite e vieram para ouvir histórias com seus filhos na escola. Isso sim provocou grande comoção em mim. Certos retornos só servem para reafirmar nossas convicções de que os caminhos precisam ser seguidos mesmo que restem espumas para dar conta de nós...