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Promessa de dias felizes?

Felicidade é coisa fugidia: clichê à vista! Mas tenho promessas de dias felizes. Minha companheira Teresinha convidou seus alunos para que participem da roda de conversa dos pequenos cadernos de leituras literárias que eles começaram a produzir neste semestre. E a leitura será conosco, em nossa formação semanal! Prevejo um momento chuvoso: chuva vinda de mim por saber que esse presente, a possibilidade de escuta de suas palavras, embora seja acariciante para os meninos, precisa ser acariciante para nossas almas descrentes de velhos piratas...

Chuvisco

Chuvisco o dia todo. Chuvisca aqui dentro também. Por outro lado, algumas conversas reconfortaram. Almoço pede companhia para dividir alimento e dividir angústias. Mas ainda persiste a dúvida: com dureza ou com afeto? Qual o modo de velejar nesse mar?

Sobre "O bordado encantado"

"Usar as mãos para criar talvez seja das coisas mais fascinantes que uma pessoa possa realizar. Minha mãe me criou no tricô e cedo aprendi a fazer pequenas roupas para minhas bonecas. A Marina me mostrou a moça tecelã, que tecia e destecia no tear do seu destino. E o Edmir me trouxe, de longe, do Tibet, uma história sobre uma senhora que, com sangue e lágrimas, borda a paisagem mais bonita encantadora que poderia existir. Senhora pobre que borda para sustentar a si e aos três filhos. Mulher que se encanta com um bordado diferente, visto na feira do povoado, e faz pra si algo sublime, como aquele bordado visto. O bordado é levado pelo vento e a dor do trabalho perdido faz a velha adoecer e fenecer. Os filhos, com medo da mãe morrer e não mais sustentá-los, resolvem partir em busca do tecido e nunca voltam. Dois, porque o terceiro, mais jovem e amoroso com a mãe, parte em busca do pano e dos irmãos perdidos. O caminho, para todos os que tentam mostrar seu valor, é tortuoso, com prov...

Barquinho a deslizar....

Essa semana será curta e tormentosa. Assim prometem os astros. Devo me guiar por eles, porque a quem mais? A semana passada me trouxe boas supresas para serem registradas. Meus companheiros de leituras literárias trouxeram pequenos tesouros para partilhar com o grupo. Escritas que traziam um pouco da vida vivida dialogando com os textos lidos. Duas escritas, especialmente, me trouxeram brilho aos olhos: a da chuva, meio crônica-literatura, meio cotidiano-crônica; e a da bolsa amarela, pedaços de inconformismo e sensibilidade de uma professora que me surpreende a cada dia. Bem, poderia ter chorado como desejei, mas capitã não deve. Firmeza, marujos! Ainda temos o Bojador (e muita dor) a ultrapassar!

Dia de sol

Precisei de poesia e li Bagagem, da Adélia, de uma vez só. Certo, precisava também ensaiar minha escrita como tinha proposto ao grupo: eles poderiam escolher quem andaria na prancha para ler e produzir um diário de leituras literárias. No princípio, cinco deles. Acatei a sugestão de um sexto caderno, que fosse volante. As leituras de hoje me aqueceram: como a gente pode fazer disso uma prática social em que a linguagem é viva, em que ela pode circular e ser lida ora com doçura, ora com dureza. Retomo ao fim os objetivos e questiono se esta é a melhor rota para seguirmos. Pouco se fala, os mesmos de sempre. Preciso ir mais fundo, que esses textos possam...

Tormentas

Um mês de viagem e ar rarefeito de literatura. Depois de dois anos e alguns meses de formação com o grupo, descubro que eu não os apaixonara. Sim, não consegui seduzir as almas mais duras com minha doce voz de sereia. Pouco adiantou ter insistido em uma série de leituras feitas no começo de todos os encontros; não adiantou perturbá-los com livros coloridos; não consegui trazer Ulisses para mim. O susto veio quando um deles me disse não ver sentido em ler textos literários para seu aluno, ainda mais sendo professor de outra área. Acredito na literatura e como o Rubens, companheiro de conversas sobre a vida, acredito na poesia. Mas uma vez não basta: outro alguém me diz que não dividiria o tempo da prova com os cinco minutos iniciais de leitura, existiam coisas mais importantes. Sim, tempos de tormenta em que descubro que o óbvio para mim não é tão simples para os outros...

Dos propósitos...

Da ideia à matéria: por que escrever um blog sobre os percursos viajeiros de formação em educação? Não sei. Talvez a atração pelas profundezas do trabalho na escola me tenham dado coragem para empreender viagem. Nada de papiros ou cadernos com bichinhos fofos desenhados: minha ferramenta é computador. Este blog é meu diário de viagem. O que encontrarei no horizonte?